Confira entrevista com as chapas; comunidade unespiana elege os novos representantes nos dias 01, 02 e 03 de outubro
Por Ana Luiza Oliveira e Esther Chahin
Na última quarta-feira (25), os candidatos à reitoria e vice-reitoria da Universidade Estadual Paulista ‘Júlio de Mesquita Filho’ (Unesp) estiveram presentes nos estúdios da TV Unesp, em Bauru/SP.
As três chapas participaram de um debate, cuja dinâmica contemplou os respectivos planos de governo, dúvidas da comunidade unespiana e, por fim, uma rodada de perguntas e respostas entre os próprios candidatos.
O debate está disponível na íntegra no canal da universidade no YouTube.
As chapas
Três chapas, cada uma com um candidato à reitoria e, outro, à vice-reitoria, concorrem às eleições em 2024. Os representantes eleitos assumirão os respectivos cargos a partir de 2025 e, neles, permanecerão até 2029.
A Chapa 1, ‘Orgulho de Ser UNESP’, é composta pelos professores Leonardo Theodoro Büll (Faculdade de Ciências Agronômicas, Botucatu/SP) e Bernardo Mançano Fernandes (Faculdade de Ciências e Tecnologia, Presidente Prudente/SP), que concorrem, respectivamente, aos cargos de reitor e vice-reitor.
Sob o lema ‘Excelência com Sustentabilidade’, os candidatos planejam, entre outros, aprimorar a permanência estudantil na universidade (citando, por exemplo, os restaurantes universitários e as moradias estudantis), reverter progressivamente a terceirização e melhorar o custeio oferecido para cada uma das unidades.
A Chapa 2, ‘UNESP Sempre Viva e Plural’, reúne os docentes Maysa Furlan (atual vice-reitora da universidade e professora do Instituto de Química, Araraquara/SP) e Cesar Martins (Instituto de Biociências, Botucatu/SP), candidatos a, respectivamente, reitoria e vice-reitoria.
Ao apresentar o plano de governo, os integrantes da Chapa 2 também citam a permanência estudantil, além de aspectos como o combate à evasão, a consolidação da extensão nos currículos universitários e o incentivo à internacionalização dos discentes e pesquisadores da instituição.
Por último, os professores Estevão Tomomitsu Kimpara (Instituto de Ciência e Tecnologia, São José dos Campos/SP) e Celso Antonio Rodrigues (Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Botucatu/SP) unem-se na Chapa 3, ‘Juntos Pela UNESP do Futuro’. O primeiro concorre à reitoria e, o segundo, à vice-reitoria.
Os membros da Chapa 3 pontuam três grandes problemas que acometem a universidade atualmente: instabilidade financeira, distanciamento entre a reitoria e as unidades e falta de prioridade para com a graduação.
Nesse sentido, os candidatos prometem trabalhar em torno de tais questões, defendendo os interesses econômicos da instituição junto ao Governo do Estado e à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, propondo soluções customizadas para cada uma das unidades e voltando maior atenção à graduação.
Os candidatos e os problemas da UNESP de Bauru
No primeiro semestre de 2024, estudantes do Campus de Bauru/SP mobilizaram-se frente ao atraso nos auxílios. As análises de quais alunos seriam contemplados pelo benefício atrasaram e, por isso, as bolsas chegaram aos discentes, aproximadamente, seis meses após o início das aulas.
No contexto, discussões acerca do restaurante universitário e das moradias estudantis da unidade também foram levantadas. Atualmente, o ‘bandejão’ da UNESP Bauru disponibiliza um total de 800 refeições no almoço e 500 no jantar. De acordo com dados da Administração Geral do Câmpus, a unidade contempla mais de 5000 alunos.
A mesma defasagem se aplica à moradia estudantil. Nela, há 32 vagas, segundo dados da Administração Geral do Câmpus.

“Temos algumas unidades que oferecem o mesmo número de refeições há anos e não conseguem aumentá-lo. O que queremos fazer é sair dessa estagnação que temos hoje. Planejamos aumentar o número de refeições e de restaurantes universitários”, aponta Bernardo Mançano Fernandes, candidato a vice-reitor pela Chapa 1.
Leonardo Theodoro Büll complementa citando o restaurante universitário de Franca/SP enquanto um modelo a ser seguido.
O candidato a reitor da chapa ainda relata: “a permanência estudantil não é só refeição e moradia. Por exemplo, uma de minhas alunas é cotista e bolsista do PIBIC, percebia que ela repetia demasiadamente as mesmas roupas. O gestor precisa ter essa visão”.
O professor finaliza afirmando que também é oriundo de uma família de alta vulnerabilidade social e, por isso, jamais perderia o foco nas políticas de permanência durante sua gestão.
Maysa Furlan, candidata à reitoria pela Chapa 2, quando questionada sobre as mesmas problemáticas, aposta na eficácia da Política de Segurança Alimentar e Nutricional (SANS).
A atual vice-reitora ainda comenta: “espero que possamos, agora, partir para um programa de restaurantes universitários e moradias estudantis. Temos avançado na permanência estudantil. Em 2020, o investimento correspondia a R$ 40 milhões e, hoje, equivale a R$ 70 milhões”.
Maysa finaliza frisando que as políticas de permanência representam uma temática fundamental para a Chapa 2 e vislumbra estruturar um plano de médio prazo que aprimore tal ponto da universidade.
A Chapa 3 também se posicionou em relação às defasagens que acometem o campus de Bauru. “O ideal é termos uma boa infraestrutura de graduação – o que contempla a permanência estudantil. São aspectos que precisamos gradualmente ir construindo, porque o dinheiro é finito”, afirma Estevão Tomomitsu Kimpara.
Celso Antonio Rodrigues, seu vice, complementa: “é por isso que defendemos um projeto de Estado, e não de governo. É muito fácil prometermos que vamos trabalhar na permanência estudantil, mas existe uma série de outras demandas que também precisam ser atendidas, como a contratação de docentes e técnicos”. O professor afirma que vislumbra aprimorar as políticas de permanência, mas, enquanto gestor, precisa trabalhar com equilíbrio.
Para finalizar, Celso Antonio Rodrigues comenta sua atuação na Pró-Reitoria de Planejamento Estratégico e Gestão (PROPEG) ao lado de Estevão Tomomitsu Kimpara. Nela, afirmou ter influenciado nas recentes mudanças no restaurante universitário da UNESP Bauru e na ampliação de sua moradia estudantil.
O que pensam os colegiados e diretores
“Para a UNESP, enquanto instituição, a temática mais importante a ser discutida pela Chapa eleita é a nova forma de repasse para as universidades, com o fim do ICMS”, avalia a Prof.ª Dra. Fernanda Henriques, atual diretora da Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design (FAAC) da UNESP Bauru.
Para além do aspecto mencionado, Fernanda também enfatiza a relevância de outras questões, como a permanência estudantil, contratação e recomposição salarial dos servidores técnico-administrativos e docentes e maior atenção aos cursos de graduação da universidade.
A diretora finaliza apontando a importância dos colegiados estudantis na aproximação entre o corpo discente e a gestão reitoral da universidade.
“A pandemia trouxe um problema muito grande para o movimento estudantil como um todo. O pessoal mais ativo foi se formando e poucas pessoas permaneceram. Enfrentamos uma grande dificuldade para motivar a entrada de novos participantes”, comenta Denisson Guimarães do Carmo, coordenador-geral do Diretório Acadêmico ‘César Lattes’ (DACEL) da Faculdade de Ciências (FC) da UNESP Bauru.
As eleições
O primeiro turno das eleições 2024 para reitoria e vice-reitoria acontece entre os dias 01 e 03 de outubro. Toda a comunidade unespiana – incluindo docentes, servidores técnico-administrativos e estudantes – poderá votar através do sistema institucional ‘e-Voto’.
Caso houver necessidade, o segundo turno ocorrerá entre os dias 05 e 07 de novembro.






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