O evento contou com a participação de Rosangela Maria, com tema “Psicologia e a luta antimanicomial”.
Por Sinara Martins
Aconteceu nesta terça-feira (5), no Campus da Unesp de Bauru, o segundo dia do evento da 31° Semana de Psicologia e 18° Congresso de Psicologia, e a mesa com o tema “Psicologia e a luta antimanicomial”. Durante a tarde, os convidados trocaram suas experiências acerca do tema central.
O bate papo recebeu Rosangela Maria, psicóloga, ativista na luta antimanicomial e fundadora da instituição “Loucos por Alegria”, que falou a respeito do progresso que há na luta e suas experiências e dificuldades que o movimento enfrenta.
A ativista começa dizendo que “é muito bom falar sobre isso na universidade, até porque falar sobre isso na época que eu estudava em 1977, era algo proibido, um tabu”, e acrescenta que “ainda não alcançamos a criação de uma boa rede de apoio, nem o fim dos manicômios, há muitos desafios”.
Em Bauru, Rosangela pontua a precariedade na área da saúde mental dentro dos hospitais. “Em nenhum lugar o que aconteceu aqui, não tinha emergência psiquiátrica, nem psiquiatra”, conclui.
“A maior dificuldade é o trabalho em equipe, porque os psiquiatras querem por toda lei impor a profissão, e como que você faz pra obrigar um clínico geral que não compreende a saúde mental, a medicar quando necessário?”, questiona a ativista.
Logo após, a psicóloga conta sua experiência visitando hospícios, quando fazia parte da comissão organizadora de fiscalização. “Não consigo nem explicar o que nós vimos. Camisa de força, cubículos para colocar o paciente na solitária assim como na cadeia, pacientes pelados e descalços no frio. Não tinha bebedouro, as camas não tinham colchão, o chuveiro era de água fria “, relata.
Ainda em seu testemunho, Rosangela acrescenta que “o que eu vi lá dentro, eu jamais desejo pra ninguém, é pior do que a cadeia, e eu também já estive em diversas cadeias”, e completa dizendo: “O hospício é o pior lugar do mundo, e ele ainda existe”.
Rosangela também denuncia a falta de políticas públicas para a reinserção dos pacientes na comunidade. “Também como dificuldade, a maior parte desses pacientes não têm pra onde voltar. O grande desafio hoje é o que fazer com essas pessoas”.
Nesse âmbito, contra a luta antimanicomial, ocorreu a criação do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), que visa à substituição dos hospitais psiquiátricos – antigos manicômios – e de seus métodos para cuidar de afeções psiquiátricas.
Gabriela Pereira Martins, estudante do segundo ano do ensino médio, estava na mesa para contar sua experiência na instituição. “Há 2 anos eu conheci o trabalho deles e me tornei paciente do caps, foi a instituição que me ajudou demais e eu agradeço que ele existe”, afirma.
A estudante ressalta que sua experiência foi agradável. “A minha experiência foi muito boa,todos os funcionários foram solícitos e me ajudaram muito na minha caminhada. Ganhei um rumo novo”, comenta.
A mesa ainda contou com a apresentação de um curta, que apresentava o dia a dia em um centro de habilitação e um período livre para perguntas e respostas entre os convidados e ouvintes.
Para finalizar, Rosangela acrescenta: “Pagamos um preço muito alto pela luta da democracia, mas isso também precisa ser feito dentro da faculdade”, finaliza ressaltando a importância da continuação da luta antimanicomial.






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