Equipe bauruense irá disputar torneio em Goiânia no mês de novembro
Por Guilherme Barbeito
O futebol total é um conceito criado pelo jogador e treinador holandês Johan Cruyff, que basicamente é definido por uma forma avassaladora e totalmente ofensiva de praticar o esporte. A mais famosa equipe a implementar isso foi a Seleção Holandesa, vice-campeã mundial em 1974, que recebeu o apelido de Carrossel Holandês, por que a sua constante rotação lembrava o famoso brinquedo dos parques de diversão.
Até hoje, esse time é lembrado pelos fãs de futebol como um dos maiores de todos os tempos. Um desses fãs era Rene Pegoraro, ex-docente do Departamento de Computação da Unesp de Bauru, que criou, em 1998, o projeto Carrossel Caipira, formado por alunos para disputar torneios de futebol com robôs produzidos por eles.
Hoje, o time é comandado por Vinícius Casimiro e Gabriel Franco, estudantes de Ciências da Computação. Além deles, cerca de mais de 20 alunos da FC, FEB e FAAC colaboram com o Carrossel Caipira, que tem como orientador o Prof. Dr. Clayton Reginaldo Pereira, do Departamento de Computação.
A modalidade consiste em robôs com formato cilíndrico disputando uma simulação do que seria uma partida de futebol. Todo jogo conta com câmeras dispostas em cima do “campo” que servem para escanear os robôs participantes e enviar as informações para os computadores das equipes para que possam interpretar o relatório e assim decidir as melhores estratégias.
No ano passado, o time ficou em quinto lugar entre os 23 competidores que levaram o seu robô para Salvador-BA para disputar o Latin America Robot Competition (LARC). O Carrosel Caipira já foi campeão a nível nacional em duas oportunidades e em 1998 chegou até mesmo a ser vice-campeão mundial.
No entanto, Vinicius e Gabriel, diretores do projeto, garantem que essa pressão por resultados não é algo que os incomoda tanto. “A nossa cobrança é por entregar o nosso robô da melhor maneira possível. Durante os campeonatos, vários perrengues acontecem, mas, a felicidade vem mesmo quando vemos o nosso robô funcionando e podendo competir”, afirmou Vinícius em entrevista ao Campus de Bauru.
O ano de 2024 vem trazendo muitas mudanças na estrutura do projeto. Do ponto de vista interno, foram vários os membros que entraram esse ano através do processo seletivo promovido entre os meses de março e abril. Além disso, a atual gestão passou a estruturar os processos de gestão de pessoas e de marketing, coisas que não aconteciam em anos anteriores.
No meio competitivo, o Carrossel foi forçado a sair de sua categoria de competição já tradicional e vencedora, a VVS (Very Small Size), uma vez que a competição foi descontinuada. Agora, eles farão a sua estreia na Small Size League (SLL) em um torneio realizado em Goiânia a partir do dia 10 de novembro.
Além dos resultados nos torneios, o Carrossel também anseia conquistas no sentido de integração com a universidade. “A faculdade é muito grande, são muitos cursos, mas sentimos que o curso de Ciências da Computação é um pouco isolado dos demais. Nós temos demandas que poderiam ser supridas principalmente por alunos da FEB, mas, às vezes, somos ofuscados pelos grandes projetos que já existem entre os alunos de engenharia” afirmou Vinícius.
Ainda no contexto da Unesp, o vice-diretor Gabriel Franco destacou que a série de burocracias promovidas pela própria faculdade é uma das maiores dificuldades que o projeto enfrenta hoje. Segundo ele, foram muitos os problemas relacionados a entrega de materiais necessários para a produção dos robôs. “O dinheiro que recebemos da Unesp é suficiente para nos mantermos, mas, já houve episódios de não recebermos o produto que compramos ou então receber mas com uma demora imensa que prejudica muito o nosso trabalho”, justificou.
Para acompanhar a trajetória do Carrossel Caipira em seus próximos passos, especialmente o próximo torneio, basta seguir o projeto no instagram (@carrosselcaipira).






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