Projeto revitaliza espaços públicos de Bauru desde 2013
Por Ana Helena Masson Maiolino
No último sábado (22), o projeto da Unesp de Bauru, Ao Vivo e Em Cores, realizou a Recepção Solidária na EMEI Wilson Monteiro Bonato. Com o intuito de revitalizar os espaços e trazer a sensação de pertencimento, membros e voluntários coloriram as paredes e os pisos da escola com artes pensadas nos interesses dos alunos.
Lígia Remaeh, diretora da instituição, comentou que a presença do projeto é uma conquista e que estão em festa. Para participar, a escola teve que passar por um processo seletivo que começou em novembro e que comporta diversas reuniões e critérios que precisam ser correspondidos.
“Para nós, o projeto, ele traz muito. Além dele trazer cores, formas, além dele trazer traços, além dele trazer alegria pra nossa escola, ele traz principalmente o sentimento de pertencimento da comunidade e também o olhar pelas minorias”, relatou.
A escola Wilson Bonato fica localizada na Avenida Nossa Senhora de Fátima, uma das principais da cidade, que divide a comunidade e a classe média alta da região. A diretora explicou que “uma forma de aproximar as famílias é se entender como próprias da humanidade” e o projeto trouxe a oportunidade de participação e interação das famílias de ambas as classes. Ela, ainda, reiterou que “todos estamos aqui por um mesmo objetivo que, na verdade, é um objetivo de ampliação cultural, é um objetivo educacional, é um objetivo de inclusão, de integração”. Ela afirma, emocionada, que a escola se renovou.
Sobre a sensação de pertencimento que a arte traz para as crianças e famílias, a diretora relatou: “vi agora há pouco uma situação de um menino que passou por uma das oficinas, inclusive hoje, que foi a pintura de panos de prato. E ali tinham todos os heróis que ele fala e brinca todos os dias. Então, isso é trazer pertencimento”.



O Ao Vivo E Em Cores
Focado em aproximar a Universidade da comunidade bauruense por meio da união entre arte e educação e estimular a sensação de pertencimento nas crianças e nos jovens atendidos pela rede pública de ensino, o Ao Vivo e Em Cores nasceu em 2012, durante a Semana de Engenharia (SEMENG), com estudantes de engenharia civil. A ideia inicial era revitalizar somente o Parque Vitória Régia, que, na época, sofria com pichações e degradação. No entanto, dois dias depois da ação, o Parque estava como antes: pichado e degradado. Daí surgiu a ideia de trabalhar em espaços que participassem da formação da população, por isso as escolas.
Foi em 2013, então, que o projeto começou a atuar nas escolas públicas de Bauru, para conscientizar sobre a valorização do patrimônio público e construir uma nova forma de pensamento e segue assim até hoje.





Os diretores da gestão de 2024 do projeto, Gabriele Gobbi e Rafael Camargo, comentaram, em entrevista exclusiva, que uma das viradas de chave mais importantes para o projeto crescer foi sair da engenharia para virar um projeto realmente da Unesp. Atualmente, a equipe é formada por 65 pessoas, dos diversos cursos da FEB, FAAC e FC.
Além disso, eles reiteraram que um momento de extrema importância para o Ao Vivo foi quando receberam auxílio da Ambev, em 2020, visto que a pandemia impossibilitou as ações presenciais e, por isso, a reestruturação da casa foi importante. A parceria foi através do Voa Jr., programa de transformação social da Ambev em que seus funcionários se dispõem a colaborar com as ONGs, oferecendo programas de mentoria. Para o Ao Vivo, o Voa Jr. fez um organograma, que dividiu os membros em 7 áreas: artístico, execução, oficinas, comunicação, prospecção, financeiro e gestão de pessoas. Gabriele cita que “foi assim que a gente realmente conseguiu estruturar e consolidar” o projeto e que eles se organizam assim até hoje.
Gabriele criou uma relação com o projeto antes mesmo de entrar na faculdade, por meio da irmã, que participou como voluntária, e Rafael conheceu o projeto pela Gabriele. Eles sempre foram uma dupla, faziam trabalhos da faculdade juntos e, hoje, finalizam a gestão deles juntos, muito satisfeitos e emocionados. Rafael conta que o projeto está em expansão, na Unesp de Sorocaba, e que um dos planos para o futuro é que exista Ao Vivo e Em Cores em mais um campus.
Outro ponto importante de reiterar é que a pichação continua sendo a principal dificuldade enfrentada por eles. Gabriele conta que na última ação de 2024, na EMEF Cônego Aníbal de França, a quadra, que é aberta ao público aos finais de semana, foi coberta por desenhos, e que quando voltaram na escola, para coletar os feedbacks, tudo estava pichado, de novo. Ela afirma que continuam tentando por ser esse o propósito do projeto, apesar de o trabalho “cair por terra”.
Rafael complementa: “Falta o resto da sociedade entender o nosso trabalho e vir com a gente nisso”.
O Ao Vivo tem duas ações: a Recepção Solidária e a Ação Principal. A Recepção Solidária tem como objetivo recepcionar os ingressantes da Unesp, para que eles conheçam o projeto como voluntários e com artes mais simples. Eles também acompanham a escola e realizam o processo de “sonho e criação” para entender os interesses dos alunos e transmiti-los nas artes. Na Ação Principal, o acompanhamento da escola acontece ao longo do ano inteiro, proporcionando um entendimento das questões sociais existentes no ambiente, com desenhos mais complexas, apresentações dos projetos de extensão da Unesp de Bauru, projetos de materiais reciclados e com um contato maior com as famílias.
Além delas, existe também a Ação de Manutenção, criada na gestão de Gabriele e Rafael, em que as artes já feitas são retocadas e, portanto, acontecem em escolas que já tiveram a revitalização. Rafael relata que os contatos que eles tinham com as escolas acabaram perdidos depois da pandemia e que a tentativa deles é manter a troca com as instituições.
Para encerrar, Gabriele cita que o principal impacto é o pertencimento dos alunos, além da conscientização do patrimônio público. “Só de ter um ambiente mais colorido, mais receptivo, isso já impacta na vida delas, delas quererem vir para a escola e se sentirem mais acolhidas, em um ambiente gostoso de estar”, concluiu.






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