O Campus de Bauru buscou os coordenadores da Cope e da CSANS para entender a situação
Por Ana Luiza Oliveira
Durante as últimas semanas, estudantes têm participado de mobilizações dentro do campus para reivindicar direitos básicos dos alunos na universidade. Entre as movimentações, destacam-se os encontros do Conselho Estudantil Universitário de Bauru (CEUB), que aconteceram nas últimas semanas e abriram espaço para a discussão dos próximos passos do movimento estudantil.
A organização do corpo discente da Unesp acontece em um momento de luta para garantir, principalmente, os apoios do programa de permanência estudantil. Segundo a estudante de psicologia e militante do Afronte, Lucca, após o período de pandemia houve uma desarticulação e desmoralização do movimento estudantil, o que implica em uma importância ainda maior das reuniões atualmente. São exigidos pelos estudantes, por exemplo, a realização mais rápida e eficiente do pagamento dos auxílios financeiros, o aumento no número de vagas da moradia e, ainda, um maior número de refeições subsidiadas no Restaurante Universitário (RU), de modo a garantir a segurança alimentar de todos.

Em busca de maior união da classe estudantil para lutar pelas reivindicações, reuniões e atos em conjunto são muito importantes para alcançar o engajamento fora desses espaços. “Momentos como o CEUB e as assembleias são fundamentais, porque reúnem uma grande quantidade de gente, mas a política se dá no cotidiano e na atuação diária, então é essencial que as pessoas que estiveram aqui sigam engajadas”, expressou Lucca, em entrevista exclusiva após o CEUB do dia 20 de março.
Apesar da intensa mobilização, as problemáticas enfrentadas não são exceção e têm sido recorrentes ao longo dos anos. Nesse sentido, a busca por diálogos diretos com os representantes da administração da Unesp são caminhos buscados pelos alunos. Para Samuel, também do curso de psicologia e militante do Afronte, há uma grande dificuldade em “mudar a cabeça das pessoas” nesses ambientes. “O impacto para gente de estar construindo esses espaços de diálogo é movimentar os estudantes, para fazer com que isso seja uma forma de construção de espaços democráticos e fazer com que essa mobilização não cesse”, explicou.
O que dizem as coordenadorias sobre os desafios da permanência?
Criada em 2013, a Coordenadoria de Permanência Estudantil (Cope) da Unesp tem o propósito de consolidar e garantir políticas de direitos e ações de apoio aos estudantes que se encontram em situação de vulnerabilidade socioeconômica, contribuindo para a redução da evasão escolar na universidade. É uma das responsabilidades da coordenadoria, por exemplo, a concessão dos auxílios financeiros distribuídos.
O Campus de Bauru entrevistou o coordenador da Cope, Prof. Dr. Mário Sérgio Vasconcelos, que contou que, anualmente, é realizada uma previsão da quantidade de alunos e que, este ano, o programa passou a abranger alunos da graduação, da pós-graduação e também do colégio técnico. Perguntado sobre a grande demora para a confirmação e pagamento do auxílio, Mário esclareceu que há um procedimento a seguir, o que faz com que todo estudante precise passar por uma seleção. “Eles precisam passar por um processo rigoroso de avaliação socioeconômica para poder receber, porque estamos falando do dinheiro público, então tem um rigor e cuidado com isso”, descreveu ele.
Para além do rígido processo, a longa espera para a efetivação do apoio financeiro é causada, principalmente, pela falta de profissionais de assistência social para a realização das etapas de avaliação. “[No ano passado] algumas unidades de fato demoraram para terminar o processo seletivo e isso prejudica o pagamento, porque a Cope não pode outorgar o pagamento sem antes fazer uma conferência de todo o processo seletivo, aluno por aluno, e a Cope não se intromete na avaliação do assistente social”, contou.
O coordenador explicou também que, idealmente, a política de permanência estudantil precisa de, no mínimo, 35 assistentes sociais trabalhando na universidade para que possa ser realizada de forma tranquila. O quadro da Cope, hoje, é de 12 assistentes.
A coordenadoria, entretanto, tem buscado aumentar a quantidade de profissionais, com o envio de uma solicitação para a contratação de mais seis assistentes sociais este ano.
Em atuação conjunta com a Cope, há também a Coordenadoria de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (CSANS), que busca assegurar alimentação saudável aos estudantes. Durante as mobilizações estudantis recentes, a dificuldade para adquirir refeições subsidiadas foi uma das principais reclamações. Sobre isso, a coordenadora da CSANS, Profa. Dra. Fernanda Henriques, comunicou que a coordenadoria distribui os recursos financeiros para as Unidades Universitárias, respeitando a autonomia de gestão de cada uma delas.
“O RU de Bauru disponibiliza atualmente 1.300 refeições subsidiadas por dia (800 no almoço e 500 no jantar), sendo um dos restaurantes universitários da Unesp que mais distribuem refeições. Para o campus de Bauru, o valor repassado foi de R$ 2.618.620,00, o segundo maior dentre as 34 unidades da Unesp. Qualquer alteração na quantidade de refeições ofertadas deve ser avaliada pela gestão local, levando em consideração as possibilidades estruturais e operacionais”, esclareceu ela.
A baixa quantidade de refeições comparada ao número de estudantes no campus causa indignação no movimento estudantil. Segundo o Anuário Estatístico de 2024 da Unesp, em 2022 a distribuição dos alunos matriculados apenas em cursos de graduação em Bauru era de 6.031. Nesse mesmo ano, na pós-graduação, o número era de 1.563. No total, em 2022, havia 7.594 estudantes matriculados na Unesp Bauru.

Nesse cenário, a identificação dos alunos em situação de vulnerabilidade crítica é necessária e a CSANS segue engajada em localizá-los. “A permanência no campus de Bauru conta atualmente com 636 alunos cadastrados. A Unesp, por meio de suas unidades administrativas e acadêmicas, realiza levantamentos constantes para acompanhar a demanda e buscar soluções que atendam da melhor forma possível às necessidades da comunidade estudantil”.
O sistema atual de compra do restaurante reserva 300 refeições em cada período (almoço e jantar) para os alunos da permanência, com possibilidade de compra antecipada iniciando às segundas-feiras. “Observamos, no entanto, que a adesão à compra antecipada tem sido baixa, com menos da metade das refeições disponibilizadas sendo adquiridas por esses alunos no dia de maior compra, e, em média, menos de um terço das refeições sendo consumidas ao longo da semana. Diante desse cenário, é fundamental incentivar a utilização desse benefício pelos estudantes cadastrados no programa”, complementou a coordenadora.
Além disso, a recém empossada gestão da Reitoria apresentou grande preocupação com esse tema durante a candidatura e já iniciou o processo de criação de uma Pró-reitoria de Políticas Afirmativas, que vai articular e integrar os esforços e, segundo o coordenador Mário, vai possibilitar uma “atuação mais orgânica e politicamente mais forte”.
Entre as prioridades da Cope para 2025, estão a ampliação do quadro de recursos humanos, o aprimoramento do Siscope, para que os processos seletivos sejam agilizados, a criação de um sistema de acompanhamento de egressos da permanência estudantil e o aprimoramento do sistema de comunicação e divulgação das atividades desenvolvidas pela coordenadoria.






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