Furtos nas ‘Geladeirinhas das 50’s’

Empreendedores universitários enfrentam dificuldades com o comércio independente
Por Alex Iarossi

Estudantes da UNESP (Universidade Estadual Paulista) do campus de Bauru têm sofrido
diariamente com uma crescente onda de furtos nas ‘Geladeirinha das 50’s’. O projeto, criado em 2017, busca incentivar o empreendedorismo no meio acadêmico. Alunos que vendem seus produtos alegam que existem pessoas consumindo os itens sem pagar por eles, causando prejuízo.

A ideia do projeto, popularmente conhecido como ‘Geladeirinha das 50’s’, surgiu através do aluno Vitor Marchi em uma disciplina optativa chamada ‘Redes de Criação’, que visava fomentar um projeto de economia circular e empreendedorismo. O projeto foi desenvolvido como trabalho de conclusão de curso de Vitor.

A ‘Geladeirinha das 50’s’ funciona próxima às salas de números 51 à 59, por isso o nome do projeto. Ali existe uma geladeira com duas portas de vidros em que os estudantes, após passarem por um cadastro e um acompanhamento, podem abastecê-las com alimentos que fabricarem e disponibilizarem para vendas.

Nas embalagens e rótulos dos produtos, os comerciantes expõem chaves pix para pagamento ou deixam uma caixa para depósito de dinheiro físico. Portanto, o cliente tem total autonomia para escolher o produto que deseja e efetuar o pagamento no próprio local sem precisar, necessariamente, do contato com o comerciante.

Clientes comprando produtos das Geladeiras. Foto: Alex Iarossi

“A gente tem relatos de pessoas que pegam e não pagam, que furtam, e isso é muito frustrante. É algo que, querendo ou não, desestimula muito. Acontece de pessoas entrarem no projeto, vender um mês e querer sair porque com os furtos não compensam”, relatou Letícia Martins Gimenez (20), estudante do curso de Design e coordenadora discente do projeto.

Os furtos prejudicam não somente o lucro, mas também a produção das mercadorias. “Como eu já tenho uma leve ideia de que toda semana vai haver um furto, então eu levo um pouquinho na segunda-feira, um pouco na terça. Porque se eu colocar tudo de uma vez, eu posso tomar um prejuízo grande”, afirma a vendedora Camila Bozolan de Camargo (21), fabricante dos biscoitos amanteigados e fatias húngaras das geladeiras.

A comerciante esclarece que o custo para a fabricação de seus produtos é de R$ 3,00 por embalagem e os vende por R$ 5,00, obtendo, com isso, dois reais de lucro. “Já aconteceu de eu colocar [os produtos] seis horas da tarde e quando chegou às nove já tinham sumido seis”, disse Camila

Diversas medidas já foram pensadas para cessar os furtos. “Fazia parte do projeto das geladeiras as pessoas criarem essa consciência coletiva. Então, colocar um cadeado ou, até mesmo, instalar uma câmera desfaz a nossa intenção que é essa conscientização do bem-comum. A solução mesmo é reeducar as pessoas e fazer elas mesmas terem noção do que estão fazendo, não através da intimidação”, diz o professor do curso de Design e coordenador do projeto Dorival Rossi.

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