Conheça as Texuguetes

Por João Provasi e Rodrigo Matias

A equipe das Texuguetes Cheerleading surgiu no ano de 2006, quando a prática do cheerleading ainda era recente nas universidades brasileiras. Popular nos Estados Unidos, essa modalidade esportiva consiste na apresentação coreografada de movimentos como pulos, danças, saltos e levantamento de pessoas, com cada atleta tendo um posição definida previamente.

No começo, o time se reunia nas arquibancadas com a Febre Amarela, a torcida organizada da Unesp de Bauru, para apoiar o campus durante os campeonatos, animando a torcida e incentivando os jogadores. Essa fase ficou conhecida como “Cheer Pom Pom”, em razão do instrumento característico usado pelas líderes de torcida para conduzir os torcedores. 

“Era muito aquele clássico que as pessoas conhecem, o “Cheer Pom Pom”, que é dançar, ir na torcida, levantar pom pom, e, claro, tinha os movimentos do nosso esporte, mas era principalmente ir pra torcer, não tinha um foco competitivo”, explica Tharek Alves, estudante de jornalismo e integrante da equipe.

Esse período de exclusividade como animadoras de torcida durou até 2013, quando a organização do Inter adicionou o cheer como modalidade de apresentação. Mas foi apenas quatro anos depois, em 2017, que o cheers foi integrado ao evento como modalidade esportiva. “Desde quando começou a ter o Cheerleading como esporte, como um desafio dentro do Inter, as Texuguetes já estão participando e, em todos os anos que nós disputamos, ganhamos medalha. Desde 2017 a gente pega o pódio”, comenta Lara Paulista, estudante de Engenharia Civil e capitã das Texuguetes Cheerleading.

As apresentações

Atualmente, a equipe conta com 23 atletas que se preparam para participar de outros três campeonatos oficiais além do Inter: o CheerFest, que é nacional; o Arena Cheer, que é estadual; e o Tusca. Até as datas das competições, as Texuguetes realizam treinos regulares e se apresentam em eventos dentro e fora do campus.

A equipe conquistou até o momento 8 medalhas. No Inter, foram 5 pódios, sendo um ouro (2019), três pratas (2018, 2022, 2023) e um bronze (2017). No nacional e no estadual, as Texuguetes conquistaram a medalha de ouro em 2019 e a de prata em 2023. O último pódio foi no Tusca, no ano passado, com a medalha de prata.

Para as apresentações, os atletas do cheerleading são divididos em duas funções: os que levantam, que constituem a base, e o que é levantado, chamado de flyer. As bases são separadas em traseira, lateral e frontal, e são importantes para a execução dos principais movimentos do esporte, como o stunt, que é quando as bases levantam a flyer.

Texuguetes em apresentação no intervalo do jogo do Bauru Basket, no Ginásio Panela de Pressão (Foto: Arquivo Pessoal/ Texuguetes)

Os campeonatos oficiais são organizados por um regulamento que define regras específicas para cada divisão dentro da modalidade, que serão avaliadas durante a apresentação. Na modalidade que as Texuguetes participam, a coreografia, chamada de “rotina”, tem duração de dois minutos e é dividida em quadros que são avaliados isoladamente por critérios como técnica, perfeição dos movimentos e criatividade.

Em cada quadro, elementos diferentes são integrados à rotina, e a equipe precisa realizar com eficiência o que é determinado nessa coreografia. “A gente tem que cumprir durante a nossa rotina os critérios que nós visamos, que a gente vai melhorar, que seria a técnica dos movimentos, a limpeza das rotinas, a flexibilidade dos atletas. Então, têm vários critérios que são avaliados ao longo da nossa apresentação”, pontua Lara.

Dessa forma, à medida que os campeonatos foram surgindo e aumentando de competitividade, as Texuguetes foram se organizando como equipe e internamente. Tharek conta que o time foi se tornando cada vez mais estruturado, o que permitiu uma base mais sólida durante a performance. “A cada ano a gente tenta ficar mais profissional e organizado, para ser competitivo e ter uma estrutura que nos leve para o pódio, principalmente, pensando sempre em primeiro lugar, na conquista de medalhas e com foco no ouro”.

A preparação para os campeonatos

As competições ocorrem geralmente no segundo semestre ou no final do ano letivo, o que deixa o cronograma da equipe dividido em duas partes. A primeira parte é dedicada à montagem coreográfica e a seletiva dos novos membros, que, após serem aprovados, passam por um período de preparação, o que acaba sendo um pouco demorado, já que muitos dos novos atletas nunca praticaram o cheer.

Depois de definidos os novos integrantes, tem início o processo de condicionamento físico e mental, dois dos componentes mais importantes. “Estar dentro de um time requer muita mentalidade, porque o cheer é um esporte muito coletivo, você precisa ter muita consciência que qualquer ação influencia a equipe toda”, ressalta a capitã.

Os eventos competitivos costumam ter mais de 5 mil espectadores, o que pode causar choque nos atletas, principalmente aos recém chegados no time. Por isso, uma das etapas da preparação mental é o “Full Out”, quando a rotina é repassada por completo e os treinos são abertos, proporcionando uma sensação que acostuma a equipe com a pressão no ginásio.

Apresentação na Arena Cheer, 2024. (Foto: Arquivo Pessoal/ Texuguetes)

Para desenvolver a coreografia, as Texuguetes contam com o apoio do coach Lucas Cauê, técnico de um time All Stars (Profissional) nos Estados Unidos, que auxilia na montagem das apresentações e na correção dos movimentos dos atletas. A rotina fica pronta até as férias, pois, durante o recesso, é necessário mandar fazer o mix musical que será tocado durante a apresentação e decidir como será o design do tradicional uniforme amarelo e preto.

A partir do segundo semestre, a organização fica focada nos treinamentos e nos preparativos finais para as competições, quando a coreografia é revisada e os erros são corrigidos. Os treinos são realizados no ginásio do Departamento de Educação Física (DEF), e ocorrem de segunda, quarta e sexta-feira, do meio-dia às 14 horas.

A equipe tem cerca de três meses de preparação até o início do primeiro campeonato, o Arena Cheer, o que intensifica a sequência de treinos. Lara conta que, devido a essa época “turbulenta” de preparação, é sempre importante os atletas manterem o condicionamento mesmo estando de férias. “A gente sempre incentiva os atletas, os participantes do time, a não ficarem parados durante as férias, porque querendo ou não é um mês, mas é um mês que quando volta sente muito. Quando nós voltamos, voltamos com tudo”.

Durante o ano, as Texuguetes também precisam se organizar para arrecadar dinheiro para arcar com os custos das competições. O time não recebe apoio financeiro ou logístico do campus da Unesp, o que limita a verba nas arrecadações, patrocínios e custeio dos próprios atletas. “Essa falta de ligação com a Unesp, na verdade, é uma das maiores dificuldades que a gente tem, justamente porque tudo tem que sair da gente”, declara Tharek.

A organização interna do time

Como as Texuguetes treinam praticamente o ano todo, é necessário ter uma gestão interna eficiente que colabore para a organização da equipe. “O pessoal da comissão organizadora gere as coisas mais importantes e, dentro dela, a gente se divide para poder ver a questão dos treinos, dos atletas, das faltas, do dinheiro e das competições”, expõe Lara.

Time comemorando a conquista da medalha de prata no Tusca 2024. (Foto: Arquivo Pessoal/ Texuguetes)

A comissão técnica é responsável por elaborar e executar os treinos, além de acompanhar o desenvolvimento dos atletas. A comissão de mídia gerencia as redes sociais das Texuguetes e ficam responsáveis pela comunicação. O financeiro comanda as ações de arrecadação de verba e gestão do caixa da equipe. 

O planejamento da participação nas competições e organização dos eventos do próprio time é responsabilidade da comissão de eventos, e a equipe da comissão de produtos é encarregada de decidir o design dos uniformes e kits e entrar em contato com o fornecedor. Por fim, a área de gestão de pessoas coordena a relação entre os atletas, tanto no âmbito administrativo quanto competitivo.

Processo seletivo

A seletiva das Texuguetes é realizada no começo do semestre, quando os calouros ainda estão se adaptando à nova rotina. O processo procura, primeiramente, integrar os interessados com dois dias de treinos abertos no DEF, quando os alunos têm um contato inicial com o esporte.

“Esses dois dias são abertos para todo mundo, para quem quiser vir conhecer ou só assistir. Mas, o pessoal geralmente vai e participa de um treino em que a gente ensina tudo desde o mais básico, para eles poderem aprender, por mais que, às vezes, estejam só ali por curiosidade”, detalha a estudante.

Após esse período de assimilação com o cheer, os alunos que se inscreveram para o processo seletivo passam por uma bateria de testes com os elementos específicos da função escolhida. As atividades são gravadas e analisadas pela comissão organizadora, que define quais serão os novos atletas das Texuguetes com base na evolução individual e na demanda de cada função.

Para Tharek, a principal importância de participar da equipe é a conexão que é formada com pessoas diferentes:

“Você tem contato com pessoas de todos os cursos, de todas as faculdades. Eu já participei de vários projetos de extensão aqui da Unesp, mas, como eu sou do jornalismo, tenho uma tendência a ficar ali próximo da FAAC. No time, eu conheci gente da FEB, da FC e de quase todos os cursos. Isso é muito legal”, constata. 

Além das novas relações criadas a partir das Texuguetes, Tharek também comenta sobre como o time agrega em sua graduação. “Quando eu assumi de fato as mídias do time, eu tive o meu próprio mundinho, sabe? Eu passei a cuidar de todo o Instagram e das outras mídias sociais, passei a montar cronograma de postagens e tudo mais. E todo esse trabalho de cuidar da comunicação do time, mesmo que não seja profissional e sem contar nenhuma hora de extensão, nem nenhum estágio, me dá uma super satisfação”.

Para concluir, a capitã da equipe, Lara, comenta que o momento de maior satisfação para ela dentro das Texuguetes, foi ter participado do Tusca de 2024. “Foi um momento muito marcante para mim, pois era o meu primeiro ano como capitã. A ideia principal da coreografia tinha sido toda minha, e eu sempre tive o sonho de poder colocar em prática as minhas ideias com a equipe. Então, quando conquistamos o segundo lugar do Tusca foi algo muito emocionante para mim”, destaca.

Para acompanhar a rotina de treinos e ficar por dentro dos próximos eventos da equipe, acesse o perfil das Texuguetes no Instagram.

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