Doutorado na Unesp: uma oportunidade para jovens

Doutorado da Unesp é uma porta de entrada para recém-formados que desejam seguir na carreira e pesquisa acadêmica
Por Fernanda Sampaio e João Pedro Coelho

Programas de Mestrado e Doutorado são cursos de pós-graduação que um aluno pode fazer para refinar seu conhecimento acadêmico e científico original, apurar seu pensamento crítico e dar ênfase em pesquisas. No campus da Unesp Bauru, as três faculdades oferecem diferentes programas de Doutorados.

A Faculdade de Ciências (FC) oferece algumas linhas de pesquisas; são elas Biociências, Ciências da Computação, Ciência e Tecnologia de Materiais, Educação para a Ciência e Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem. Já a Faculdade de Engenharias (FEB) possui quatro linhas de pesquisa, como Engenharia Civil e Ambiental, Engenharia de Produção, Engenharia Elétrica e Engenharia Mecânica. Por fim, a Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design (FAAC) disponibiliza os programas de doutorados nas áreas de Comunicação, Design, Arquitetura e Urbanismo e Mídia e Tecnologia. 

Uma trajetória possível aos estudantes após finalizarem a graduação é entrar para um programa de mestrado e, depois, doutorado. Ultimamente, uma tendência vem ganhando força: alunos mais novos buscam a pós-graduação, chegando até mesmo a entrar diretamente em um programa de doutorado. Um exemplo é o aluno formado em jornalismo pela Unesp Bauru, Henrique Afonso, o primeiro a ser aprovado direto da graduação para o programa de doutorado de Mídia e Tecnologia (PPGMiT). 

Para Henrique, existia certo receio em relação a idade, uma vez que o mais comum é que os alunos de doutorado no Brasil já tenham mais de trinta anos de idade. Além disso, ele considera que o fato de ser o primeiro a ingressar diretamente da graduação no programa é uma grande responsabilidade e comenta, “Como não fiz o mestrado, sei que terei de me dedicar ainda mais. Meus colegas cursaram o mestrado, eu não. Por isso, quero dar atenção especial a cada detalhe. Esse é meu plano de voo.”

Mesmo assim, em seu intercâmbio na Europa, percebeu “um movimento global que busca encurtar o tempo de formação”. Somado a isso, universidades estaduais paulistas vêm buscando acelerar o período de mestrado. Com todas essas mudanças, a tendência é observar alunos cada vez mais jovens na pós-graduação. No caso do ingresso ao doutorado sem passar pela etapa do mestrado são exigidas algumas exclusividades do aluno. A coordenadora do PPGMiT, Vânia Valente, ressalta como é  preciso comprovar uma maturidade científica e cumprir especificações requisitadas no site do Instituto de Tecnologia, como produções acadêmicas e proficiência em duas línguas estrangeiras.

A pós-graduação é essencial para quem pensa em seguir uma carreira acadêmica, já que os programas ajudam a aumentar a maturidade do pensamento científico e alavancar pesquisas. Mesmo assim, ela não deixa de ter seu peso no mercado de trabalho, construindo habilidades e abrindo portas para os profissionais. Ao final da graduação, Henrique teve experiências inserido no mercado, como sua passagem pelo jornal do Estadão. Hoje, no doutorado, ele comenta sobre a relação dos dois campos: “Engana-se quem pensa que seguir uma trajetória acadêmica não traz benefícios para o mercado. Pelo contrário, destaque profissional, networking, raciocínio lógico e pensamento crítico, tudo isso é potencializado na academia. Minha expectativa é conseguir equilibrar o doutorado e o mercado”.

No geral, os mestrados e doutorados diferem em vários aspectos da graduação. Vânia destaca o intenso foco para a produção acadêmica, e também a relação orientando-orientador, enquanto na graduação, pesquisas de iniciação científica ou a produção de um TCC são o que mais se aproxima de uma pós. “No mestrado, normalmente, o aluno vai aprender a fazer essa pesquisa. E no doutorado, de fato, ele vai desenvolver algo novo. Então, o mestrado não precisa ser inédito.” ela comenta.

Para Henrique, a memória da graduação ainda é recente e, portanto, as diferenças são bem marcadas. De acordo com Vânia, uma diferença reconhecida é “a sofisticação das discussões em nível de doutorado”, além da dinâmica do trabalho. “De modo geral, é uma jornada mais solitária. A pesquisa, por natureza, exige um trabalho individual intenso”, ele aponta, contrastando com a coletividade da graduação.

Tanto os programas de mestrado como os de doutorado possuem grades curriculares que exigem certas disciplinas. “Um programa de odonto ou um programa de comunicação vai possuir um número de disciplinas que o estudante vai ser obrigado a fazer e depois realizar a pesquisa, além de precisar cumprir outras atividades que o programa determina”, conta a coordenadora. Entretanto, existem programas de pós-graduação que são interdisciplinares e, por isso, tem um funcionamento diferente dos mestrados e doutorados convencionais. Nesse modelo, com a dificuldade de abranger todas as áreas, as disciplinas acabam oferecendo assuntos mais gerais. 

Os programas de doutorado da Unesp são avaliados periodicamente pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). A última atualização disponível, de 2015, aponta que o programa obteve nota 4 em uma escala que vai de 1 a 7. Para entender essa nota, Vânia explicou: “A cada 4 anos tem uma avaliação e ela começa de 2, 3 até 7. Para baixo de 3 é indicado fechar o programa. Acima de 4 é o recomendável. Quando a gente foi abrir o programa de doutorado, fomos avaliados com nota 4 para abrir”. Este ano, o processo de análise realizado pela CAPES deve divulgar os novos resultados nos próximos meses. “A gente está esperando. Acabamos de entregar o relatório, vai até julho mais ou menos”, contou a coordenadora. 

Apesar das limitações enfrentadas, o programa já possibilitou diversas experiências de doutorado sanduíche; modalidade em que o aluno realiza parte da formação no exterior com financiamento da CAPES. Segundo Vânia, a internacionalização do curso traz benefícios significativos, como o domínio de outros idiomas e a ampliação da rede acadêmica. “Abre o mundo”, resume. O programa mantém convênios com instituições como a Universidade da Inglaterra e a Universidade de Queens, no Canadá, além de forte presença na Espanha. Essas parcerias permitem que o doutorando desenvolva parte da pesquisa fora do Brasil, em colaboração com docentes estrangeiros, e retorne para concluir e defender a tese na Unesp. Em alguns casos, é possível até a dupla titulação, com o título reconhecido tanto no Brasil quanto na instituição parceira.

Os processos seletivos para participar de um programa de pós-graduação abrem, geralmente, no final do ano. A quantidade de vagas varia com a demanda de orientadores. “A gente faz uma consulta para os docentes e tem essa oferta de 15 vagas a 20 vagas, dependendo do semestre do ano aumenta ou diminui. Nos últimos processos seletivos têm sobrado duas vagas, três vagas”, ressaltou Vânia. A função de um orientador é importante, tendo em vista que é ele quem irá ajudar a estruturar a linha e o projeto e a pesquisa do doutorando, como disse a coordenadora: “normalmente, o orientador vai te ajudar na metodologia, vai te ajudar a fazer a sua fundamentação teórica e te ajudar a você acessar bases para pesquisar a parte teórica do que já existe”. 

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