Para celebrar o dia do trabalhador, O Campus de Bauru conversou com os profissionais que fazem a universidade funcionar
Por Rodrigo Matias*
O Dia do Trabalhador, ou do Trabalho, é comemorado anualmente no dia 1º de maio em diversos países do mundo, celebrando a luta pela melhoria das condições trabalhistas. A data teve origem ainda no século XIX, na cidade de Chicago, nos Estados Unidos, quando operários tomaram as ruas da cidade para protestar contra as longas jornadas de trabalho. No Brasil, as primeiras manifestações em prol do dia do trabalhador surgiram no começo do século XX. Em 1924, o presidente Arthur Bernardes oficializou a data. O dia primeiro de maio ganhou ainda mais força na era Vargas, como parte do projeto de governo do então presidente.
Para celebrar a data, O Campus de Bauru entrevistou os trabalhadores da universidade para saber como são valorizados os serviços prestados por eles no campus. Atualmente, são mais de 900 funcionários, incluindo docentes e outros profissionais, que atuam na universidade todos os dias.
As 34 unidades da Unesp espalhadas em 24 cidades em todo o estado de São Paulo, sendo 22 no interior e duas na capital, têm suas questões trabalhistas organizadas pelo Sintunesp (Sindicato dos Trabalhadores da Unesp). O Campus de Bauru conversou com Alberto Souza, que é assistente operacional do campus, e também coordenador político do Sintunesp. Desde que passou a prestar o trabalho sindical, Alberto está afastado de sua função como assistente operacional, ainda assim ele está sempre presente no campus para orientar em alguma atividade sindical.
Percepções sobre o trabalho
Para Alberto, o dia do trabalhador é uma grande conquista para a classe, mas principalmente um momento de reflexão de todos.
“Não é simplesmente mais um feriado, ou um dia de folga. Deveria ser um dia de mobilização, conscientização da importância dessa data para nós trabalhadores”, destacou. Para o jardineiro Luiz Carlos de Oliveira, 32, o dia é muito relevante para valorizar os trabalhadores. “É importante para você lembrar que aquele dia é do trabalhador, você já tem consciência disso. Lembrar sempre que aquele dia é nosso”, reiterou.
Segundo o jardineiro, o trabalho exercido por ele e pelos demais funcionários do campus é extremamente respeitado e valorizado pela comunidade da Unesp. “O nosso trabalho aqui, que consiste em fazer as podas, limpar os galhos do chão e tudo mais, é muito reconhecido pelo pessoal. Tratam muito bem a gente, sempre temos um café aqui antes de começar o serviço, é sempre muito tranquilo. Os estudantes também respeitam muito a gente”. A chefe de cozinha do restaurante universitário do campus, Sandra Lourenço, 50, também acredita ter o serviço valorizado pela Unesp. “O que eles puderem fazer por nós, ao meu ver, eles fazem. E eu me sinto quase como uma funcionária da Unesp”.
Tanto o trabalho das funcionárias do restaurante universitário, como a jardinagem e outros tantos serviços da universidade, são terceirizados atualmente. Mas, para Sandra, isso não é um problema. “Eu, por exemplo, não terminei os meus estudos, se eu tivesse que fazer um concurso para ser servidor, não ia passar. Então, se estatizar, eu entendo que muitas iam perder o emprego. E sobre a questão salarial, é lógico que a gente sempre quer ganhar mais, mas por enquanto estou satisfeita. Se eu não tivesse, não estaria trabalhando aqui. Já estou há dois anos e não tenho a menor vontade de sair”, explicou. O jardineiro Wilson de Paulo, 63, também se sente conformado com a terceirização: “O salário é o piso mesmo, ainda tem o vale alimentação, até que está bom”, relatou.
Reflexão e conscientização
Por outro lado, o coordenador político do Sintunesp possui uma visão bem diferente em relação à terceirização do trabalho. “A terceirização é o grande símbolo da precarização do trabalho aqui no campus. Os salários são muito baixos. Para você ter uma noção, somente o vale alimentação de um servidor público já é maior do que o salário de um funcionário terceirizado aqui”, salientou Alberto. “Temos que lutar sempre contra a precarização. Nós enquanto universidade não estamos aqui só para formar os estudantes, mas também para ser um exemplo para o resto da sociedade. A gente fala tanto em democracia, direitos iguais, aquela “coisa” toda e contratamos um serviço precário no qual os servidores estão ganhando menos. Tem uns [empresários] que não pagam os benefícios, quando eles estão para sair, dão um “calote”. Então, o dia primeiro de maio deveria servir para isso também, para a gente parar e debater tudo isso”, acrescentou.
Alberto também tem uma percepção divergente dos outros funcionários sobre a valorização dos serviços prestados pelos trabalhadores no campus. “Olha, eu acho que já foi mais valorizado, infelizmente. A gente não se une tanto como deveria. As pessoas não se preocupam mais com o coletivo, é cada um buscando o seu de alguma forma. Mas de alguma maneira temos um certo reconhecimento, inclusive, com essa possibilidade de igualar os salários com as outras universidades. É uma forma de reconhecimento por parte da Unesp”, apontou.
Para finalizar, o coordenador do Sintunesp indicou quais são, para ele, as principais dificuldades dos trabalhadores no campus hoje:
“Acho que a principal dificuldade é a ignorância. Aqui é sempre uma cabeça pensando, e o geral tem que seguir. Essa imposição dificulta o nosso avanço por melhorias. E o pior de tudo é o individualismo, as pessoas não se somam. Mas, ainda assim, as coisas melhoraram bastante. Nós já tivemos muita dificuldade para exercer a nossa atividade, mas agora acho que está mais tranquilo”.
*Com a colaboração de Sophia Faccina e Victor Hugo Aguila





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