Conheça o LaBESTA

Laboratório de Biologia Evolutiva e Sistemática de Tetrápodes Atuais conduz pesquisas com foco em anfíbios e répteis na Unesp Bauru
Por João Pedro Coelho e João Pedro Passaroni

Laboratórios de pesquisa são espaços fundamentais nas universidades para o desenvolvimento científico e tecnológico. A Unesp possui diversos laboratórios que a colocam como segunda maior universidade brasileira em termos de publicações científicas, com destaque no campo da biodiversidade.

Segundo relatório da editora holandesa Elsevier, o Brasil é o país que mais produz conhecimento científico sobre biodiversidade na América Latina, representando 43,5% dos artigos publicados na região. A Unesp fica no posto de terceira instituição com mais artigos publicados nos últimos 5 anos, atrás apenas da USP e da Universidade Nacional Autônoma do México. A Unesp de Bauru tem grande participação nisso, contando com mais de 10 laboratórios de pesquisa na área de ciências biológicas.

Entre eles, o mais recente é o Laboratório de Biologia Evolutiva e Sistemática de Tetrápodes Atuais, o LaBESTA. Com um forte compromisso com a inclusão e a diversidade, o laboratório busca criar um ambiente colaborativo, incentivando a autonomia de seus membros na condução de projetos de pesquisa e o compartilhamento de conhecimento.

Coordenado pelo professor Pedro Taucci, o projeto teve início em dezembro de 2024 e começou de fato as atividades já em 2025. Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e com doutorado em Zoologia pela Unesp de Rio Claro, Pedro comentou em entrevista exclusiva como o projeto teve alta procura logo em seu começo: “Quando a gente entra na biologia, o pessoal é muito focado em pesquisa, então, muita gente já quer fazer estágio. Em dezembro mesmo, um monte de gente já me escreveu”.

No entanto, Taucci também enfatizou as dificuldades enfrentadas por novos projetos na obtenção de recursos. “Esse começo é bastante complicado, porque a gente precisa de dinheiro para fazer pesquisa. Eu tenho espaço, fui muito bem recebido aqui pelo meu departamento, pelo RH também, mas a gente realmente não tem nenhum tipo de fundo para começar”, afirmou.

Mesmo assim, ele reforçou a importância de pesquisas em universidades públicas.

“Toda pesquisa científica, em algum momento, vai fazer sentido na saúde do ser humano, seja para a gente ganhar tempo ou para a gente ter uma vida mais saudável. O ser humano só está onde está porque a gente pesquisou muito, a gente entendeu muito o funcionamento desse planeta e o nosso próprio funcionamento”.

No caso do LaBESTA, o foco de estudo são tetrápodes, ou seja, animais vertebrados com quatro membros, mas seu foco maior é em anfíbios e répteis. Os primeiros citados, inclusive, apresentam mais de 40% de suas espécies sob ameaça de extinção no mundo inteiro e o laboratório busca também entender a relação dos anfíbios com os ecossistemas, além da ameaça apresentada e de maneiras para revertê-la.

De acordo com o professor, sua principal linha de pesquisa é a sistemática, área que consiste em estudar a diversidade dos seres vivos, voltada a classificar, compreender e organizar os mesmos. “A sistemática estuda, por exemplo, o que é uma espécie, onde ela começa e onde ela termina”, ele comenta. Além disso, explica como ela é importante no estudo dos seres, já que algumas espécies, como primatas, são facilmente distinguíveis dentre suas famílias, porém outras, como alguns grupos de anfíbios, são consideravelmente mais complicadas de diferenciar.

Em relação ao funcionamento do projeto, Pedro explicou como o LaBESTA é voltado tanto para a graduação quanto para a pós-graduação, cada um colaborando em seu nível para as pesquisas. Mesmo que com poucos recursos, o laboratório ainda é uma experiência de grande valor para o desenvolvimento dos alunos e, por isso, o professor procura oferecer o maior aporte intelectual possível. Para isso, são utilizadas literaturas da biblioteca e acervos da Unesp.

Dentro do processo de produção, Pedro ressaltou a importância de todos os estudantes. “Por mais que, às vezes, o aluno da graduação chegue um pouco perdido, é interessante também que eles participem da concepção dos projetos, para eles entenderem o que estão fazendo ali e não estarem só replicando. Quando você replica, você está exercendo um serviço técnico, mas, quando a gente quer ser cientista, a gente tem que participar intelectualmente, desde a concepção até a finalização dos trabalhos“, ele comenta.

Com a participação ativa dos alunos, o projeto busca continuar crescendo e expondo suas pesquisas. Para isso, o podcast Viva la Evolucion, projeto de extensão do laboratório, irá abordar os principais eventos evolutivos que aconteceram no planeta Terra ao longo dos anos e não ficará preso apenas ao ambiente universitário: “Vamos fazer oficinas em escolas também para ensinar a criançada a como se expressar de maneira científica por meio dos podcasts”.

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