Estudantes de Jornalismo, Relações Públicas e RTVI se mobilizam para reconstruir o CACOFF
Por Guilherme Barbeito e Lucas Maione
Os centros acadêmicos (CAs) são entidades responsáveis por representar os estudantes de um determinado curso universitário. Para que um CA seja válido, é necessário um estatuto e um grupo de discentes que o administre. Ambas as estruturas devem ser aprovadas em assembleias com quórum mínimo de participação dos alunos.
Na Unesp Bauru, existem mais de dez organizações desse tipo. No entanto, os cursos de Comunicação da FAAC optaram por formar um CA unificado, que contempla Jornalismo, Relações Públicas e RTVI (Rádio, Televisão e Internet) e originaram o Centro Acadêmico de Comunicações Florestan Fernandes (CACOFF).
Fundado em 1996, o CACOFF surgiu a partir da sugestão de Mara Rita Oriolo de Almeida, então caloura de Relações Públicas, que propôs a criação de um centro acadêmico que reunisse as três “habilitações” do curso de Comunicação Social da Unesp Bauru.

Em 2020, a pandemia provocou uma desarticulação dos membros do CACOFF, culminando em sua desativação em 2022, principalmente devido ao baixo engajamento dos estudantes na gestão da entidade.
A proposta de reativação surgiu ainda no fim de 2024, mas ganhou força neste ano, impulsionada por mobilizações do movimento estudantil, especialmente por pautas como o Restaurante Universitário (RU) e a permanência. Esse cenário reacendeu o sentimento de união entre os alunos, criando condições favoráveis para a reconstrução do CACOFF, como explica Arthur Ozai, estudante de RTVI:
“Conforme foi se aproximando o ‘Panelaço’, mas principalmente depois, consegui conversar com alguns veteranos sobre a situação do CACOFF e com alguns calouros também, para falar que a gente tinha essa entidade que nos representava, mas foi desativada”, afirma.
Cerca de um mês após o “Panelaço” em frente ao GAC, os alunos de comunicação realizaram uma primeira assembleia com o objetivo de discutir a reativação do CACOFF. Nessa reunião, foram debatidos aspectos estratégicos e operacionais relacionados ao processo de reconstrução.
Para fundar um novo CACOFF, é necessário primeiramente formalizar a dissolução da gestão anterior, que não chegou a ser encerrada oficialmente. Isso exige a elaboração de uma lista com os RAs de todos os estudantes dos três cursos, que será utilizada em uma assembleia futura para coleta de assinaturas e validação da dissolução. Somente após esse processo será possível iniciar, de fato, a criação da nova entidade.
Em seguida, será formada uma comissão eleitoral responsável por conduzir o processo de escolha da chapa que representará o CACOFF institucionalmente. Para ser eleita, a chapa precisa alcançar quórum mínimo de aprovação de 50% mais um dos alunos de cada um dos três cursos.
Esse processo também revela que a organização interna da entidade permanece indefinida. A definição de aspectos financeiros, administrativos e estruturais depende diretamente da elaboração de um novo estatuto, que orientará tanto a formação das chapas quanto a divisão de responsabilidades e os métodos de gestão.
Nos modelos anteriores, a gestão financeira era responsabilidade direta do próprio CA, que arrecadava recursos por meio da venda de produtos, como kits e doces. No entanto, a consolidação dessas diretrizes depende da criação de um grupo de trabalho específico para redigir o novo estatuto.
Outra questão organizacional em debate diz respeito à recente desativação do Departamento de Comunicação Social, criado em 1975, que deu origem a dois novos departamentos: o de Jornalismo (DJor) e o de Audiovisual e Relações Públicas (DARP).
Diante desse novo cenário, surgiu a proposta de criação de centros acadêmicos específicos para cada curso, em vez de uma entidade unificada como o CACOFF. Em entrevista ao Campus de Bauru, a estudante de Jornalismo, Laura Hirata-Vale, argumentou que essa divisão reflete as diferentes demandas dos três cursos, e que uma representação segmentada poderia atender melhor às necessidades de cada um.
Por outro lado, defende-se que um CA unificado fortalece a mobilização dos estudantes, especialmente neste momento de reconstrução e retomada do engajamento nas pautas do movimento estudantil.
Essa mobilização por uma entidade única também está diretamente ligada às demandas comuns dos três cursos por melhorias nas condições acadêmicas. “Uma coisa que afeta os três cursos é a quantidade de professores. A gente tem uma falta muito grande, com matérias sendo dadas exatamente pelos mesmos professores, isso quando não temos que pegar professor ‘emprestado’ de outro curso. Outra coisa é a facilitação do acesso ao equipamento de gravação e tudo mais, uma vez que o estúdio fica no MP e o processo para pegar um aparelho se burocratizou muito neste ano”, relata Arthur, aluno de RTVI.
No momento, a tendência é seguir com a proposta do CA unificado, tanto pela viabilidade logística quanto pela facilidade no processo de reconstrução. No entanto, não está descartada a possibilidade de retomar a discussão sobre a separação futuramente, quando o CACOFF estiver mais estruturado e os alunos mais familiarizados com o funcionamento da entidade.
Para acompanhar todas as informações e participar dos debates sobre o CACOFF e outras mobilizações, os estudantes de Jornalismo, RP e RTVI devem acessar o grupo de WhatsApp que reúne os três cursos de comunicação da Unesp Bauru, clicando aqui.
Foto destacada: Cursos de Comunicação na Unesp Bauru; Guilherme Barbeito.






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