O congresso foi sediado pela primeira vez em Bauru e teve como tema “A atividade orientadora de ensino como teoria da atividade pedagógica”
Por Rodrigo Matias
O campus da Unesp Bauru recebeu, da última quinta-feira até sábado, o VIII colóquio “GEPAPe em rede”, que teve como tema central “A atividade orientadora de ensino como teoria da atividade pedagógica”. A edição de 2025 contou com 108 pôsteres de pesquisadores de dez estados diferentes e nas mais diversas áreas do conhecimento ligadas à educação. Além das palestras, mesas redondas e minicursos, o congresso contou com uma programação cultural composta por apresentações de dança e de canto. Dentro do campus, os cursos que participaram do evento foram os de matemática, pedagogia e psicologia. Também foram convidados professores da rede de ensino municipal e privada de Bauru.
O Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Atividade Pedagógica (GEPAPe) foi formado no ano de 2002 pelo professor de matemática Manoel Oriosvaldo de Moura. De lá para cá, professores da rede de ensino em conjunto com estudantes de graduação e pós-graduação vêm exercitando a reflexão e a elaboração de novas atividades para o processo pedagógico. Com o crescimento do grupo, o GEPAPe se tornou uma rede que, hoje em dia, é dividida em núcleos por proximidade geográfica e interesses. Em 2017, em comemoração do aniversário de 15 anos do grupo, foi realizado o primeiro colóquio, que atualmente é feito de maneira bianual.
A escolha do tema do VIII colóquio, “Atividade orientadora de ensino como teoria da atividade pedagógica” foi explicada pela presidente da comissão organizadora do evento e professora do departamento de psicologia da Unesp, Flávia Asbahr, que concedeu entrevista ao jornal O Campus de Bauru: “Desde quando o professor Manoel Oriosvaldo de Moura apresentou em sua tese de doutorado o conceito de atividade orientadora de ensino, estamos trabalhando na perspectiva de entender como essa construção teórica pode se aproximar de uma teoria de atividade pedagógica. Então, o objetivo deste colóquio é tentar sistematizar um pouco os elementos da atividade orientadora de ensino como teoria da atividade pedagógica”, destacou.
O primeiro dia
As atividades na quinta-feira iniciaram às 19:30 horas com minicursos que ocorreram nas salas 60s e 80s e foram ministrados por pesquisadores da área. Às 19 horas foi o momento da primeira atividade cultural do colóquio no anfiteatro “Guilhermão”. O grupo Street Dance da companhia de dança Sigma realizou quatro apresentações na noite. As duas primeiras com o grupo infantil, uma com o grupo júnior e a finalização com o grupo sênior. A estudante de jornalismo na Unesp, Marcela Calarezi, de 19 anos, faz parte do grupo de street dance da Sigma e performou no colóquio. “A experiência de se apresentar em um evento como o GEPAPe foi muito legal. Nós, como dançarinos, almejamos sempre estar no palco e poder mostrar a nossa arte para as pessoas é muito gratificante”, exaltou.
Marcela também comentou sobre como a dança está relacionada com o colóquio e como pode ser uma ferramenta pedagógica: “Não apenas a dança, mas a arte de forma geral é algo que pode ter um grande efeito no processo pedagógico. Além de uma ferramenta, ela pode ser um grande auxílio para a área pedagógica, é comprovado que a dança agrega de maneira significativa a nossa capacidade cognitiva, e o nosso convívio social, que é tão importante no processo de aprendizagem, é algo que melhora muito com a arte”, complementou.
Para finalizar o dia, o “Guilhermão” recebeu a conferência de abertura “O que é uma teoria pedagógica de base histórico-cultural?”, ministrada pelo professor José Carlos Libâneo e pelo coordenador do GEPAPe, Manoel Oriosvaldo de Moura. A palestra foi um dos principais destaques do colóquio.
O segundo dia
Na sexta-feira, a programação começou às 8 horas com três mesas redondas, que aconteceram nos auditórios do “Guilhermão”, central de salas e sala 1. Às 10 horas, foi realizada a conferência “Diálogos sobre situações desencadeadoras de aprendizagem: discussões e sínteses do grupo ‘Analisando SDA’”, com os convidados João Paulo Stadler e Natália Mota Oliveira.
No período das 14 horas até as 17:30, foram apresentadas pesquisas (pôsteres) em pequenos grupos. Um dos pesquisadores que participou da exposição foi o mestre em arquitetura e doutorando pela Unifesp, Alex Garcia, de 48 anos. Alex expôs o início da sua pesquisa de doutorado, que investiga a influência da inteligência artificial na formação dos professores, e contou a importância de participar do GEPAPe: “As pessoas que são base da minha pesquisa estavam todas no GEPAPe e é muito bom estar perto das suas referências, poder conversar e trocar experiências, essa é a magia do congresso”, enalteceu.
A partir das 19:30 horas, se iniciou mais uma sessão de minicursos que se estenderam até as 21 horas, finalizando mais um dia de congresso. A professora de psicologia Silvana Kawasaki explicou qual a importância dos minicursos para a comunidade: “Embora estejamos discutindo os assuntos no colóquio de maneira teórica, o nosso intuito é que essa teoria chegue nas salas de aula. Esses minicursos são pensados nos professores e em como eles vão aplicar isso no processo de ensino das crianças”.
O terceiro dia
O último dia do congresso iniciou com uma plenária no “Guilhermão” com síntese das atividades. A última conferência começou às 10 horas e tratou sobre o avanço na consolidação da AOE (atividade orientadora de ensino), como teoria da atividade pedagógica e teve como convidada a professora Carolina Picchetti Nascimento. Por fim, o GEPAPe teve seu encerramento com a apresentação do Coral Intergeracional Amorosidade do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos “Achilles dos Reis”, que aconteceu no “Guilhermão”.
Essa foi a primeira vez que o evento foi sediado em Bauru, a presidente da organização, Flávia Asbahr constatou a importância de trazer o GEPAPe para Bauru: “É bom ter essa visibilidade e nós temos muito a agregar, temos aqui a professora Marisa Dias, que é do departamento de educação, mas trabalha com educação matemática, além do meu grupo com a Silvana que trabalha a psicologia como fundamento para a atividade pedagógica”, finalizou.
Foto destacada: Divulgação






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