Durante os sábados do mês, evento promove atividades práticas e construção de instrumentos sustentáveis
Por Rodrigo Matias
Durante o mês de julho, o campus da Unesp de Bauru vai receber a oficina “O tom e o som”, uma parceria entre o Grupo de Física dos Instrumentos Musicais (GFIM) e o Departamento de Educação da Unesp. Os encontros vão acontecer aos sábados do mês de julho (dias 5, 12, 19 e 26) e buscam relacionar as várias áreas da ciência, como matemática, biologia, física e química, com os saberes musicais.
O projeto será dividido em quatro módulos, cada um focado em uma área de conhecimento específica e sua relação com a música. O primeiro vai tratar da matemática na escala musical, o segundo sobre a vida e o ritmo, o terceiro sobre a química e a harmonia e, por fim, a física e o timbre.
Os módulos também vão buscar estabelecer relações entre os pensadores e cientistas de cada área ao longo da história, como destaca o biólogo Paulo Adalberto, de 61 anos, um dos responsáveis pelo evento: “Desde Pitágoras aos matemáticos modernos, será abordada a importância da matemática na definição da tonalidade. Na fisiologia, o trabalho monumental de Von Helmholtz em torno da sensação dos tons e a fundamentação de Schaffer na definição da paisagem sonora. Como fundamento da estrutura, a tabela de Mendeleev, e o papel de físicos como Galileu na compreensão das ondas sonoras”.
Outra proposta da oficina é a construção de instrumentos afinados e feitos com materiais recicláveis e de baixo custo, o que não diminui a qualidade dos instrumentos, mas agrega um aspecto econômico e ambiental.



Origem do projeto
O GFIM é liderado pela Professora Corinne Arrouvel (UFRJ) e foi criado na intenção de desenvolver a interação ciência/música e a valorização da cultura brasileira. O grupo conta com colaboradores de diversas áreas e instituições, nacionais e internacionais, como a UFRJ, a UFSCar, o Museu Villa-Lobos (RJ) e a Jam Music Lab Private University (Viena, na Áustria), desenvolvendo uma série de ações, como cursos, palestras, oficinas, publicações e encontros internacionais.
Paulo Adalberto é um dos membros do GFIM e conta como entrou no grupo: “Percebi na minha prática profissional a importância da música no fazer científico e, quando realizava meu pós-doutorado, comecei a cursar licenciatura em Música (UFSCar). Durante essa graduação, eu me juntei ao grupo para contribuir na divulgação dessa temática, o que gerou meu trabalho de conclusão de curso”, explica.
As oficinas foram consolidadas e desde então têm atraído a atenção de diferentes instituições. “Elas já foram oferecidas diversas vezes em São Carlos, Araraquara, Sorocaba e Campinas, atendendo professores, estudantes, músicos e demais profissionais interessados”, comenta Paulo.
Parceria entre GFIM e o campus
A parceria do GFIM com a Unesp de Bauru surgiu a partir de um convite do professor Pedro Neves da Rocha, do departamento de Educação da Universidade. Paulo constata que algumas adaptações foram sugeridas pensando na realidade do campus. “A universidade possui uma infraestrutura interessante para a condução das oficinas, como laboratório de práticas educativas, um bosque com paisagem sonora ainda bem preservada, um ambiente receptivo e um público interessado”. Ele também celebra a parceria entre as instituições: “Somadas as qualidades, os grupos reconheceram o encontro pedagógico, epistemológico e estético das suas propostas, o que levou a essa união. Esperamos que renda frutos escolares e acadêmicos”.

Relação entre ciência e música
A matemática, a física e as demais áreas da ciência têm forte relação com a música, como frisa o professor: “Todos os elementos sonoros e musicais são modelados matematicamente. O ritmo e suas divisões são um exemplo direto. Nele encontramos relações como múltiplos e divisores. Ele tem um efeito sensível no corpo e sua constância e ruptura promovem efeitos que têm sido explorados há muito tempo na saúde, tanto do indivíduo como do ambiente”.

Mas, para ele, a principal relação entre ciência e música é a estabelecida por Pitágoras. “Ele definiu nossa escala, dando origem à teoria dos números. A discussão das relações numéricas na escala musical levou à criação dos números irracionais, dos logaritmos e, posteriormente, dos números imaginários, com consequente efeitos tanto na música como nas ciências”, exalta.
Contribuição da oficina para os estudantes
Segundo Paulo, a principal contribuição da oficina na formação acadêmica e pessoal dos estudantes é a promoção do protagonismo e autonomia do aluno, já que as práticas dessas metodologias facilitam a integração de diferentes áreas do conhecimento, promovendo a interdisciplinaridade. “Essas considerações nos levam a crer numa verdadeira contribuição para a formação integral do acadêmico e do profissional. Convidamos o pessoal do campus a conhecer e participar das oficinas. Sejam bem-vindos”, finaliza.
Os encontros acontecerão em todos os sábados de julho das 9h às 17h no Departamento de Educação da Faculdade de Ciências da Unesp Bauru. As inscrições podem ser realizadas por meio deste link.
Foto destacada: Reprodução/ GFIM






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