Mulheres na ciência: uma luta constante e ainda atual

Entenda como a 2ª Jornada de Pesquisadoras auxilia na visibilidade e na busca por equidade dentro e fora da pesquisa
Por Ana Helena Masson e Esther Chahin

A 2ª edição da Jornada de Pesquisadoras aconteceu em 11 e 12 de setembro, no campus da Unesp de Bauru e recebeu pesquisas de vários campi da universidade.

Inspirada na “Jornada de Investigadoras de Castilla y León”, realizada anualmente na Espanha, o objetivo do encontro é a valorização do papel feminino na Ciência e a promoção de um ambiente de apoio, inspiração e troca de experiências.

A iniciativa surge da necessidade de enfrentar os desafios ainda vivenciados, como desigualdades nas publicações acadêmicas, sub-representação em cargos de liderança e dificuldades no acesso a financiamentos.

Para Marina Piacenti, professora da Faculdade de Ciências e presidente do Comitê Organizador, a visibilidade do trabalho é o ponto mais importante, uma vez que todos os estudos apresentados foram feitos por mulheres e “isso dá muita força para a nossa classe”.

Ela pontua que o evento traz uma sensação de pertencimento, “porque esse espaço é nosso e a gente pode estar aqui e fazer isso, independente de gênero”.

As dificuldades da mulher na Ciência
Ana Clara Plaszezeski, aluna de Ciência da Computação de Presidente Prudente e fundadora do Código de Garotas, destaca a colaboração em se sentir confortável para desenvolver Ciência.

“Existe uma sensação de engrandecimento dos homens, como se a Ciência fosse um lugar que é deles por direito e como se nós, mulheres, estivéssemos invadindo esse espaço”, comenta. Ela diz, ainda, que a luta é pela ocupação igualitária e por reconhecimento.

Ana conta que a maior dificuldade durante sua trajetória científica é a auto-reprovação que surge quando se compara aos colegas masculinos.

Além disso, a pesquisadora relata ter enfrentado muitas dificuldades ao criar o Código de Garotas por ser exclusivo para mulheres: “o nosso coordenador foi muito indiferente com a ideia. Por incrível que pareça, existem mulheres na computação e elas são tão boas quanto os homens”.

Para Ana participar do evento é muito animador: “é muito inspirador ver que existem mulheres em posição de liderança, mulheres que lutam para fazer a diferença”, reforça.

A desigualdade de gênero está presente em diversos setores da Unesp. Em 50 anos, Maysa Furlan é a primeira reitora da estadual e termina seu discurso de abertura do evento reforçando a ideia de luta: “É importante que a gente resista”.

Segunda edição da Jornada de Pesquisadoras
Sob o lema ‘Inspiração na Ciência e Tecnologia”, os dois dias de evento da 2ª Jornada de Pesquisadoras reuniram mais de 700 participantes.

Com palestras, mesa-redonda, exposição de trabalhos científicos e premiação, a ocasião foi uma oportunidade para que pesquisadoras trocassem experiências e conhecimentos. A ocasião serviu para valorização e encorajamento mútuo de mulheres da comunidade unespiana que contribuem para a Ciência.

Confira a lista de palestrantes convidadas para a edição:
Andrea R. Chaves;
Anne L’Huillier;
Carolina L. Zilli Vieira;
Marcela Rodrigues de Camargo;
Marimélia Porcionatto;
Maysa Furlan;
Tatiana Satie;
Vanderlan Bolzani.

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