Queimadas em Bauru: impactos e desafios

Descubra as possíveis causas e os motivos da não suspensão das aulas
Por Ana Helena Masson e Gustavo Vieira

Na última terça-feira (30), um incêndio levantou chamas de cerca de 20 metros na área de mata ao lado do condomínio Residencial Rosa dos Ventos, em frente à Unesp. O acontecimento chocou os estudantes e transeuntes devido a quantidade de fumaça e a altura do fogo, que se alastrou para o restante da área preservada.

Apesar de ter sido contido pelo corpo de bombeiros em algumas horas, a queimada mais uma vez ganhou força no mesmo local na quarta-feira (01), levando outra nuvem de fumaça à região e prejudicando a qualidade do ar. Uma força-tarefa composta por agentes do Jardim Botânico, SP Sem Fogo, SAMU e Secretaria Municipal do Meio Ambiente foi necessária para lidar com o segundo incêndio.

Brasas arrastadas pelo vento caíram no terreno onde fica a Diretoria Técnica de Informática da universidade, criando um pequeno foco de fogo contido por funcionários da Diretoria Técnica de Serviços.

De acordo com a Defesa Civil, as chamas queimaram por volta de 16 hectares de mata, equivalente a 23 campos de futebol. A principal suspeita do órgão sobre a origem do fogo é o descarte incorreto de lixo na região, mas não descartam motivação criminosa.

Impactos dos incêndios na saúde
A emissão de grandes quantidades de fumaça e partículas tóxicas na atmosfera representam uma ameaça à saúde das comunidades. As consequências à saúde são amplas e podem ser imediatas ou de longo prazo. A inalação de fumaça, que contém partículas finas e grossas, monóxido de carbono e outros gases tóxicos, pode causar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, evidenciando sinais e sintomas em indivíduos com asma, bronquite e outras doenças pulmonares.

Além disso, aumentam o risco de condições cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral, especialmente em indivíduos com doenças preexistentes.

Os cuidados pessoais recomendados pelo Ministério da Saúde em situações de incêndio englobam aumentar a ingestão de água e líquidos; permanecer em ambientes fechados, com ar-condicionado e filtros de ar; manter portas e janelas fechadas; evitar atividades físicas ao ar livre e usar máscaras do tipo N95, PFF2 ou P100.

Reivindicações dos estudantes diante das queimadas
Mediante o cenário de insegurança instaurado pelas chamas, além dos riscos à saúde dos estudantes com questões respiratórias, inúmeros Centros Acadêmicos (CAs) e organizações pediram pela suspensão temporária das aulas.

No entanto, o Grupo Administrativo do Campus (GAC), dirigido pelo Prof. Dr. José Remo Ferreira Brega, 60, optou pela continuidade do calendário. Remo afirmou que tomou essa decisão com respaldo e orientação da Seção Técnica de Saúde: “o aluno vem aqui e usa uma sala que tem ar condicionado, que tem filtro e não deixa a fumaça entrar”.

Os meteorologistas da Defesa Civil também não viram necessidade no cancelamento das aulas: “não é o fogo que está transmitindo risco, mas a fumaça realmente incomoda. No entanto, não contemplamos nenhuma normativa para que as aulas sejam nesse momento paradas ou os alunos dispensados”.

Como o campus está preparado para combater incêndios?
Em entrevista ao O Campus de Bauru, Ricardo Sales, 61, chefe da Diretoria Técnica de Serviços (DTI), conta que os servidores atuantes na seção têm formação em curso de brigada e são habituados a combater incêndios.

Ainda de acordo com o diretor, hoje a Unesp conta com extintores para lidar com situações de fogo. Em eventuais incêndios dentro do campus, os funcionários da DTS devem combater as chamas até a chegada de autoridades competentes.

“Para os próximos anos, a gente vai adquirir um caminhão-pipa. Aí é um equipamento de alto padrão para combater incêndios. O campus de Botucatu já tem. Então, a gente quer mais ou menos o mesmo padrão. Mas, no momento, a gente depende das autoridades do município”, comentou Sales.

Na terça-feira, dia 07, a Prefeitura de Bauru e o Governo do Estado assinaram o convênio para ampliar a fiscalização ambiental. A ação será realizada com a atividade delegada, na qual o município paga o valor para a atuação da Polícia Militar Ambiental. De acordo com a prefeita Suéllen Rosim, “o convênio vai colaborar muito para ampliar a fiscalização ambiental em Bauru, principalmente no que diz respeito a queimadas e incêndios que acontecem no período de estiagem”.

Foto destacada: Lucas Mello

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