Conheça quais os auxílios existentes na Unesp e a história de uma mãe universitária
Por Ana Helena Masson, Fernanda Sampaio e João Pedro Coelho
O último Censo da Educação Superior, levantamento realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), trouxe os números comparativos entre homens e mulheres matriculados em cursos de graduação no Brasil. Em 2022, aproximadamente 3 milhões de mulheres estavam matriculadas, enquanto o quantitativo de homens era de aproximadamente 2,2 milhões.
Por outro lado, o número de mulheres que cuidam sozinhas de seus filhos também vem crescendo. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre os anos de 2012 e 2022, o Brasil passou a ter 11 milhões de mães solo, destas, 12% são universitárias.
Com as responsabilidades de cuidar de um filho, na maioria das vezes sozinha, e continuar a graduação, muitas abandonam os estudos em prol da criação. Pensando nisso e no Dia das Crianças, O Campus de Bauru trouxe quais os auxílios disponíveis para as mães unespianas e seus filhos.
Ajuda institucional
Para auxiliar no processo da maternidade, a Unesp conta com Centros de Educação infantil (CEI) em 14 de seus campi. Os CEI funcionam como creches que buscam oferecer cuidados e apoio educacional às crianças tanto de alunos como de funcionários da instituição.
Eles atendem crianças de 4 meses até 3 anos e 11 meses de idade, assegurando um espaço em que a fase de berçário seja bem acompanhada, estimulando a educação e o desenvolvimento dessa primeira infância.
O CEI “Gente Miúda”, de Bauru, existe desde 1988 e há quase 5 anos é supervisionado por Izabel Priscilla. Atualmente a creche atende 36 crianças e funciona das 7:30 às 17:30.
O Centro se dedica especialmente à questão do cuidado, com a alimentação e hábitos de higiene adequados, bem como o desenvolvimento integral através de uma educação lúdica e estímulos motores. “É um trabalho conjunto, as atividades desenvolvem a parte motora e cognitiva das crianças, e sempre no lúdico, no brincar. A criança tá ali brincando e já tá aprendendo”, conta a supervisora.
Hoje, no Brasil, a etapa de berçário é um direito, porém não é obrigatório. De acordo com um estudo do Todos Pela Educação, o percentual de crianças de até 3 anos que frequentam creches passou de 31,8% em 2016 para 41,2% em 2024.
Embora o número seja um avanço, não atinge a meta do Plano Nacional de Educação que previa 50% de matriculados até 2024, e o país segue com mais de 600 mil crianças na fila de espera por uma vaga em creches.
No Gente Miúda, as vagas são distribuídas para crianças dependentes tanto de servidores, como de alunos da Unesp, com uma proporção de 75% para servidores e 25% para alunos.
Para realizar a matrícula, os pais devem preencher um questionário socioeconômico que passa sob um critério de avaliação, e mais tarde as seleções são divulgadas. O CEI é mantido pela Unesp, mas recebe contribuições voluntárias dos pais que auxiliam na manutenção do espaço.
Izabel, mãe de uma das crianças que frequenta a creche, destaca o quão valioso é poder manter as crianças na creche, o que torna o serviço diretamente atrelado à políticas de permanência da universidade, dessa vez englobando também servidores e discentes. “É muito importante pra quem consegue essa vaga aqui, poder vir pro trabalho ou estudo e ter essa tranquilidade de deixar a criança aqui pertinho. Acho que é um gás a mais para o dia a dia” diz Izabel.

A maternidade na universidade
Para entender melhor os desafios entre conciliar a maternidade com a universidade, O Campus de Bauru conversou com Amanda, de 24 anos, estudante de pedagogia e mãe do pequeno Caetano, de dois anos e três meses.
Assim como outras mães universitárias, Amanda enfrenta uma rotina intensa. “Conciliar essas duas coisas que requerem tanta atenção é muito difícil”, relata.
Segundo ela, a maternidade trouxe uma série de imprevistos e responsabilidades que mudaram sua forma de viver a graduação. “Antes de ser mãe, eu conseguia tirar um fim de semana inteiro para estudar. Agora, meus finais de semana giram em torno do meu filho”, ressalta.
No caso de Amanda, apesar de ter uma boa rede de apoio familiar, a falta de infraestrutura na universidade é um grande desafio. “Não tem trocador nos banheiros, os espaços não são adaptados para crianças. A gente se sente meio deslocada, como se aquele lugar não fosse feito para a gente”, diz a estudante.
Além dessas barreiras práticas, há também o olhar simbólico sobre ser mãe na universidade. “Às vezes, o preconceito vem em forma de dúvida. Já vi professor questionar se uma colega conseguiria dar conta de um projeto de pesquisa por ser mãe. Também tem o olhar de dó, de ‘nossa, tão novinha’”, destaca.
Mesmo diante das dificuldades, Amanda conta que seguir estudando é uma forma de resistência. “Eu me sinto culpada às vezes, mas sei que a faculdade é o caminho para dar uma vida melhor para o meu filho. O que me faz continuar é saber que ele vai ter orgulho de mim”, explica.
Para o futuro, Amanda espera que a universidade amplie as vagas nos CEIs e pense em ambientes mais acolhedores para as crianças. “A universidade pública é para todos. As crianças também fazem parte dessa comunidade e precisam se sentir bem nesses espaços”, finaliza.





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