Servidores da Unesp de Bauru comentam significado da data e estimulam a reflexão sobre a importância do serviço para a sociedade
Por Lucas Soares
Celebrado em 28 de outubro, o Dia do Servidor Público vai muito além de um simples feriado. Dentro da Unesp de Bauru, a data é vista por muitos trabalhadores como um momento de reflexão, reconhecimento e resistência diante dos desafios que o setor público enfrenta. Em entrevistas ao O Campus de Bauru, três servidores da instituição, um de cada faculdade, compartilharam suas trajetórias e percepções sobre a profissão.
Uma nova cara para a profissão
Recém-chegada aos estúdios da Central de Laboratórios de Informática da FAAC (CLI), o “Mundo Perdido”, Lívia ingressou na Unesp em maio deste ano.
Formada em uma área ligada ao audiovisual, ela conta que o desejo de trabalhar com a comunicação foi determinante para se inscrever no concurso público aberto em 2023. “Eu sempre tive vontade de trabalhar com estúdio e audiovisual. Quando abriu o concurso, me inscrevi, mas nem imaginava que ainda seria chamada. Demorou, mas graças a Deus deu certo”, compartilha.
Com apenas alguns meses de experiência, ela já percebe alguns entraves e limitações que o servidor público enfrenta no cotidiano. “O serviço público no Brasil está sofrendo cortes de financiamento. A gente tem perdido direitos, como a licença-premium, e há um movimento de tentativa de transformar o regime estatutário em CLT. É preciso lutar para manter nossos direitos”, diz.
Anos de experiência e sensação de desmonte
Na Faculdade de Engenharia de Bauru (FEB), o servidor Reinaldo atua na área de vigilância há 27 anos. Ele lembra que buscou no concurso público a estabilidade profissional que não tinha no setor privado. “Trabalhava como vigilante em empresas terceirizadas e corria o risco de perder o emprego a qualquer momento. No serviço público encontrei mais segurança.”
No entanto, a estabilidade não tem garantido tranquilidade. Segundo ele, a área de vigilância vive um processo de enfraquecimento. “O futuro da minha área infelizmente está fadado a acabar, com a falta de contratações, a proximidade de aposentadorias e o avanço das terceirizações”, lamenta.
Ainda assim, para Reinaldo, o Dia do Servidor Público deve servir como um momento de consciência coletiva. “É um dia para refletirmos sobre a importância do serviço público para a comunidade, e não apenas um feriado para ficar em casa.”
Resistência na rotina universitária
Com uma trajetória marcada pela xperiência, Sílvia, bibliotecária e servidora da Faculdade de Ciências (FC), já soma 14 anos na universidade, além de passagens pela Prefeitura de Bauru e pela FAPESP.
Para ela, há uma percepção equivocada sobre o trabalho realizado em bibliotecas universitárias. “As pessoas acham que o bibliotecário só guarda livros, mas fazemos muito mais: catalogação, organização de acervos, atendimento e várias outras atividades que nem sempre são percebidas”, ressalta.
Sílvia também vê perda de direitos e investimento no funcionalismo público ao longo dos anos. “Antigamente o funcionário público vivia muito melhor. Hoje em dia perdemos muita coisa, tivemos até greve recentemente.” Mesmo em meio às adversidades, ela se sente bem na profissão. “Gosto da data porque representa o orgulho de ser servidor público e o reconhecimento pelo nosso trabalho.”
Entre gerações distintas de servidores entrevistados, o sentimento é comum: o serviço público é essencial e deve ser valorizado. Para Lívia, o trabalho na universidade tem um alcance social que vai além dos muros da instituição. “A gente trabalha para melhorar a sociedade, formando professores que vão formar outras pessoas. É simbólico e positivo ter um dia que reconhece isso”, conclui.





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