A medida, além de prejudicar os estudantes, proibiu que a doceira Sandra consiga o seu sustento
Por João Provasi
A proibição das vendas dos doces da Sandra, 53, no interior da Unesp de Bauru no ano passado gerou insatisfação entre os alunos. Em situação de vulnerabilidade, ela precisa da renda gerada pelos seus produtos para se sustentar junto do filho, mas agora é retirada do campus até mesmo quando não está trabalhando.
Sandra começou a vender os doces dentro do campus há mais de um ano e meio, e, segundo relatos de testemunhas, até pouco tempo não haviam notificado sobre a restrição da venda de seus produtos. Entre os clientes, há estudantes, funcionários da limpeza, professores e profissionais do setor administrativo.
Entretanto, Sandra foi impedida de comercializar seus doces dentro da Unesp. Segundo conta uma fonte, a vendedora estava sentada perto da geladeirinha das 50 ‘s quando uma mulher se aproximou e perguntou se ela tinha alvará. Minutos depois, quando Sandra estava indo embora, quatro seguranças a abordaram e exigiram a sua saída.
Em outra ocasião, a fonte comenta que Sandra já não tinha mais produtos quando foi abordada. Coagida pelos seguranças de moto, ela se escondeu no banheiro com a filha e o filho mais novo. Na última vez em que foi abordada, ela foi conduzida até a Portaria 2 pelos seguranças e, desde então, não vendeu mais os seus doces dentro do campus.
A proibição das vendas é baseada no comunicado n° 004/2024, de 15 de fevereiro de 2024, emitido pelo Grupo Administrativo do Campus (GAC), que concentrou a comercialização de alimentos somente às quintas-feiras, mediante autorização.
Com essa medida, Sandra agora só trabalha do lado de fora da Unesp, vendendo próximo dos pontos de ônibus e da Portaria 1, as regiões com mais movimento. Apesar de ainda manter um bom fluxo de clientes, a vendedora comentou com os estudantes que o lucro diminuiu muito.

Em conversa com O Campus de Bauru, alguns alunos denunciaram que Sandra é impedida de circular dentro da Unesp até mesmo quando não está trabalhando. Ela tinha o costume de tocar piano e de conversar com pessoas mais próximas, mas deixou de frequentar esses espaços com receio de ser abordada novamente.
A Realidade da Sandra
A Sandra tem como única fonte de renda os produtos caseiros que ela vende na região da Avenida das Nações Unidas, do Hospital Estadual e, principalmente, em frente da Unesp. Entretanto, o total arrecadado é insuficiente para cobrir as despesas com aluguel, alimentação e o transporte, já que a doceira precisa viajar diariamente duas horas e meia para ir e voltar de Bauru.
Com isso, Sandra precisa do auxílio da filha mais velha para conseguir se sustentar junto com o seu filho mais novo, que, quando não está na escola, acompanha a mãe nas vendas. Na hora de voltar para casa, os dois ainda precisam pegar ônibus durante a noite e andar por uma longa distância.
O auxílio dos estudantes
Em meio às dificuldades impostas pela proibição das vendas no campus da Unesp, Sandra tem recebido o apoio de estudantes e docentes. Uma pessoa próxima a ela contou que uma mobilização foi feita no Setor de Vigilância. “Nós fomos à sala da segurança, lá embaixo, para fazer a ocorrência”.
A fonte revelou também que os estudantes entraram em contato com a administração do campus para que a Sandra tenha um espaço na feira da quinta-feira. “A gente falou para ela ficar tranquila, que ela vai ter um cantinho na feirinha”, relata.
Outra ação movida pelos estudantes foi uma abaixo assinado pedindo mais flexibilidade na comercialização dos produtos na Unesp, já que muitos alunos precisam complementar a renda com a venda de, por exemplo, doces e artesanatos, garantindo a permanência na universidade.

Além dos estudantes, Sandra tem contado com o apoio de professores. Dorival Campos Rossi, professor do curso de Design e coordenador do projeto das “Geladeirinhas das 50 ‘s”, tem prestado apoio e conversado com Sandra, garantindo que vai tentar arrumar um lugar na geladeira para que ela consiga vender seus doces.
Como será daqui para frente?
Apesar de contar com uma ampla rede de colaboração, a Sandra ainda enfrenta as dificuldades com a limitação das vendas, principalmente no período de recesso das aulas, o que prejudica o seu sustento e a sua locomoção até as áreas onde ela trabalha.
Dessa forma, nessa época do ano ela depende do auxílio da filha, o que compromete a saúde financeira de ambas. Por isso, continuar a vender seus doces dentro do campus da Unesp é a melhor maneira que ela tem de aumentar os seus ganhos.
Como ajudar
Atualmente, a Sandra trabalha de segunda-feira à sexta-feira em frente da Unesp. A partir das 16 horas, ela circula entre os pontos de ônibus e, quando chega próximo das 18 horas, a Sandra vai até a Portaria 1 para vender os doces, ficando por lá até as 20 horas. Os doces vendidos são tortinhas, bolos, palhas e trufas de diversos sabores, todos bem frescos e vendidos por um preço acessível.




Deixe um comentário