Estudantes de arquitetura paralisam e fazem panelaço na STG da FAAC

Mobilização reivindica transparência do departamento de curso e cumprimento das viagens didáticas.
Por Gustavo Vieira

Os estudantes de arquitetura paralisaram as aulas e organizaram um panelaço na Seção Técnica de Graduação (STG) da FAAC na tarde desta terça-feira, 17, dia dedicado a reivindicações de maior transparência orçamentária e da questão curricular do curso.

Encabeçada pelo Centro Acadêmico de Arquitetura, o CAFca, a mobilização se deu a partir da preocupação dos discentes a respeito da possibilidade do fim das viagens didáticas realizadas na graduação. O trancamento das salas 50s também aqueceu a manifestação, mas não foi destaque.

Ana Luiza Pereira, 20, presidente do CAFca, conta que o receio quanto às viagens veio após uma reunião do DAUP ocorrida no início de fevereiro. De acordo com a presidente do CAFca, professores falaram aos alunos que a extinção da atividade era uma possibilidade devido a dificuldade financeira em mantê-las.

Os estudantes de arquitetura realizam quatro viagens pedagógicas nos quatro primeiros anos da graduação, sendo elas, respectivamente, São Paulo, Belo Horizonte, Ouro Preto e Mariana, Brasília e Rio de Janeiro.

“É só nas viagens que nós temos a dimensão das coisas de verdade”, comenta Samuel Victor Nascimento, 20, vice-presidente do Centro Acadêmico. “A gente brinca que é um curso que gosta de tocar, porque a gente acredita que tocando o material, sentindo, a gente entende”, finaliza sobre a importância da atividade na graduação.

Em 2025, os graduandos do primeiro ano não fizeram a viagem para a capital paulista devido a problemas com a fretação do transporte. Esta turma, em específico, enfrenta dificuldades de contratação de ônibus por ser formada por 50 alunos, número acima dos assentos fornecidos pela maioria das empresas viárias.

Em encontro ao alto custo da estratégia pedagógica, os discentes de arquitetura questionaram a redistribuição da verba pública da FAAC, levando em consideração reclamações antigas quanto à infraestrutura do curso, o que deu mais força à manifestação.

Discentes se mobilizaram diante da possibilidade de extinção das viagens didáticas no curso de Arquitetura (Foto: Gustavo Vieira)

A paralisação

Os atos começaram às 08h30, nas 50s, com a confecção de cartazes de protesto e concentração de alunos. Mais tarde, às 10h, os estudantes caminharam até o DAUP para uma roda de conversa com a Chefe de Departamento, a Profa. Dra. Kelly Cristina Magalhães, para sanar dúvidas sobre a continuidade das viagens.

Depois, às 14h, novamente com concentração nas 50s, os discentes marcharam à STG sob canções de ordem e batendo panelas, para convocar o diretor da faculdade, o Prof. Dr. Juarez Tadeu de Paula Xavier, a um diálogo com os estudantes. Na ocasião, o diretor comandava a Congregação, órgão deliberativo e normativo de administração da unidade, na sala 1.

Com o fim da sessão, os alunos conversaram com o professor sobre questões orçamentárias da FAAC e do próprio departamento, na mesma sala. Estavam presentes o Diretor Técnico Administrativo, Fernando de Sousa Ferrari, e a Diretora Técnica Acadêmica, Elizangela da Silva Ribeiro, para auxiliar no esclarecimento de dúvidas.

Na troca, Xavier apontou que a universidade enfrenta, pelo segundo ano consecutivo, um déficit financeiro corroborado pelas políticas do Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e que a FAAC recebe o menor valor em verbas públicas das faculdades do campus, cerca de R$3 milhões.

Junto ao diretor, Ferrari explicou que o montante distribuído aos cursos da unidade são decididos através da Comissão Permanente de Administração (CPAd), espaço onde os seis departamentos apresentam suas planilhas orçamentárias e deliberam a ordenação da verba. Atualmente o valor passado a todos os departamentos é de cerca de R$90 mil reais.

Juarez apoiou a participação discente nas questões financeiras do curso e prometeu mais uma reunião aberta para discussão do orçamento destinado ao DAUP, com a participação da Chefe de Departamento, a professora Kelly Magalhães, e o Coordenador do Curso, Prof. Dr. Paulo Roberto Masseran, que deve acontecer na próxima semana.

O que diz o Departamento de Arquitetura

Em entrevista ao jornal O Campus de Bauru, a Profa. Dra. Kelly Cristina Magalhães, chefe do DAUP, disse que a reunião realizada no início de fevereiro faz parte das reuniões departamentais ordinárias realizadas mensalmente e que devem ter participação discente. A não participação dos alunos deve ser justificada e constar na ata do encontro.

Sobre a viagem cancelada no ano passado, a docente esclarece que a empresa contratada

A chefe de departamento assegurou que a realização das viagens são compromissos do DAUP e que estão garantidas. Além disso, a docente citou que as Diretrizes Curriculares Nacionais tornam as viagens de estudo um dever dos cursos de Arquitetura.

A professora também explica que a atividade, a cada ano, se torna mais difícil financeiramente. Em especial, neste momento de conflito geopolítico, com o fechamento do estreito de Ormuz, o que gera alta nos preços dos combustíveis, as viagens consomem quase a totalidade da folha do departamento.

Contudo, Magalhães destaca que a atividade nunca foi descartada e afirma que o departamento está, neste momento, definindo a planilha orçamentária que será discutida na CPAd.

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